A Ocupação dos Espaços de Poder: Da Sub-representação à Paridade Estratégica
- ABRA Comunicação

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Por Mariana Meirelles Nemrod Guimarães
Ocupar espaços de decisão significa, em essência, redistribuir a capacidade de moldar o futuro. Embora o Brasil tenha registrado avanços significativos, o panorama atual revela que o "funil da liderança" permanece como uma barreira estrutural. A paridade de gênero, portanto, transcende a pauta de justiça social: ela é o indicador mais fidedigno da modernização das nossas instituições. Este movimento de ocupação é resultado de uma articulação estratégica que integra frentes parlamentares, o rigor da advocacia feminina e redes de influência multissetoriais.
A sustentabilidade das mulheres em posições de liderança no setor público depende de redes de suporte que transformem a presença feminina em poder real de decisão. Nesse cenário, a atuação do coletivo Elas no Orçamento tem sido decisiva. Formado por especialistas em finanças públicas, o movimento atua como um hub de talentos técnicos, combatendo a histórica sub-representação feminina em pastas econômicas. A sinergia entre este coletivo e a Bancada Feminina no Congresso Nacional permitiu o fortalecimento do "Orçamento Mulher", metodologia de transparência monitorada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento para rastrear os recursos efetivamente destinados às políticas de gênero. Esse esforço ganha musculatura com a mobilização de entidades como a ABRA (Associação Brasileira de Advogadas), que atua na pressão pela paridade nas carreiras jurídicas e de Estado, e a Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade — que conta com a liderança estratégica de Ieda Novais em seu conselho — conectando gestoras para que a governança climática seja pautada pela equidade. Somam-se a este ecossistema a Rede GPÚBLICAS, que fortalece mulheres na linha de frente da administração, e a Columbia Women’s Leadership Network, que capacita lideranças para decisões de alto impacto baseadas em evidências.
No topo da pirâmide corporativa, a ocupação de conselhos de administração é impulsionada pela WCD (WomenCorporateDirectors). No Brasil, o capítulo nacional da maior organização global de conselheiras é mobilizado por lideranças vinculadas a gigantes como a KPMG e a EY (Ernst & Young), fomentando o networking de elite e a educação continuada. A WCD atua como um selo de excelência, conectando executivas prontas para as maiores empresas do país. Esse movimento é potencializado pelo Grupo Mulheres do Brasil, liderado por Luiza Helena Trajano, que através de iniciativas como o "Pula pra 50" busca a paridade legislativa, e pelo Movimento Mulher 360, que transforma culturas organizacionais com metas concretas para a alta gestão. Por fim, frentes como A Tenda das Candidatas atuam na base, preparando mulheres para romper as barreiras de entrada na política institucional. Ao unir a expertise técnica, o rigor da governança e a força da sociedade civil, consolidamos um ecossistema onde a paridade deixa de ser uma meta distante para se tornar a base de uma democracia plena e eficiente.
Sobre a autora:
Mariana Meirelles Nemrod Guimarães é Analista de Planejamento e Orçamento (APO). No Executivo Federal, foi Diretora de Programas Sociais no Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Diretora de Ações Estratégicas na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) e Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Foi vice-presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e Subsecretária de Promoção da Mulher no Governo do Distrito Federal (GDF).






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